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Eu bem disse que voltava e aqui estou de novo! 
Há umas semanas atrás parei um pouco para pensar no blog e reformular algumas lacunas nesta gerência, muitas vezes negligente com este pequeno rebento que precisa ser alimentado (nem que seja regá-lo uma vez por semana porque senão nem um cato se aguenta).
Ora, passados dois anos (sim, o Crónicas está de parabéns!) já era tempo de mudar o outfit e tirar o cartão do cidadão. E assim foi.

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Uma imagem gráfica completamente desenhada para o blog (com direito a alfabeto próprio e tudo) e o nome também encurtou/descomplicou - CRÓNICAS 2.0, que tal?

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Tem também domínio próprio cronicasdoispontozero.pt, tudo para simplificar a vida de quem nos procura e com tantas webs a menos e a mais se perdiam um bocado.

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Agora quero as vossas opiniões.

Vá, toca a comentar!

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A panela do fondue ® Teresa Serrano 

Ora aqui está um utensílio/equipamento/objeto de cozinha/sala-de-jantar que apesar de toda a gente ter em casa se devem contar pelos dedos de uma mão as vezes que foi utilizado - ou seja, tão ou mais inútil do que o chapéu feito em crochet para pôr o papel higiénico que a avó punha religiosamente em cima do autoclismo. 

O fondue faz parte de uma geração AI (Antes-do-Ikea) e Pós-Filipa-Vacondeus em que o jantar com os amigos era feito na sala de jantar MAS só em dias de festa - até porque o tampo da mesa é de vidro e pode estalar com o calor da lamparina.
A inovadora panela é guardada no aparador da sala, junto ao faqueiro de prata que ainda está na caixa desde a compra e que só vê a luz do dia no Natal e a cloche - que foi prenda de casamento da tia da França.
Os jantares demoravam sempre para cima de 3 horas e meia à mesa - 30 minutos só para atinar com a temperatura ideal da lamparina e o óleo sem meio de borbulhar, discussão garantida entre casais que já estão meio tremidos porque ele lhe decidi roubar o bocado de carne que ela estava a fritar à 5 minutos e na generalidade ficam todos com uma bela barrigada de fome. Melhor, melhor, só mesmo se a sobremesa fosse fondue de chocolate.


Moral da estória:
E que tal experimentar antes umas batatas noisettes do Pingo Doce no forno que demora menos e soa a estrangeiro na mesma?

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SENHORA_DO_PANAMÁ-01.pngA senhora do panamá®Teresa Serrano

O que eu gosto de chegar à praia, pousar o arsenal na areia e dar uma olhadela de 360º graus. É certo e sabido que irei contar pelo menos 4 ou 5 Senhoras do Panamá - e não me estou a referir a panamenhas (senhoras oriundas da República do Panamá) mas sim a senhoras com um chapéu no alto do cocuruto. Chapéu esse de tecido bem mole e com a aba sempre para baixo que vinha dobrado no saco das raquetes com quinhentas coisas em cima, o que o ajuda a ficar ainda mais deformado.
E porque o usam sempre no cimo da cabeça? Mas será que não há panamás do tamanho da cabeça delas? (É que nunca encaixam!)
Aí existem duas hipóteses:
Primeira - Foi uma oferta de uma promoção qualquer que havia na bomba de gasolina, daí o tamanho S e único;
Segunda - O cabelo arranjado e cheio de laca que não permite que o panamá entre nem que a vaca tussa.
Posso-me atrever a dizer que a segunda é a opção mais viável ou não fosse vê-las depois a banhar-se sempre com a cabeça bem fora da água a nadar à caniche para não estragar a permanente. O mergulho não é considerado (jamais!) e por isso o panamá vai também à água sem qualquer problema porque nunca o vão molhar, sendo assim um must-have para qualquer coleção de praia acima dos 60 anos.

Moral da estória:
Vogue e Marie Claire não ponham style-hunters nas praias da Costa não e continuarão a perder a tendência desde 1960!

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Lucy®Teresa Serrano

A Lúcia é aquela mulher de 35 anos que continua a usar roupas de elastano e cores fortes um tamanho abaixo do que deveria usar. E porquê? Porque houve alturas na sua vida - nos belos tempos áureos de liceu - que o seu corpo era tão curvilíneo que este tipo de vestimenta ajudava a realçar o que a puberdade lhe fez crescer desmesuradamente e desafiando centros gravíticos de forma nunca antes vistos.
A Lúcia não era muito boa de notas mas nos corredores da escola tinha sempre a nota máxima. Não fazia atividades extra curriculares mas não falhava um concurso de miss-qualquer-coisa que houvesse lá no bairro, não falava com as miúdas franzinas de ciências mas era a melhor amiga da turma de desporto - aliás ainda hoje é casada com o Carlão que era o treinador da equipa de voleibol feminino, na qual ela se inscreveu por já andar de olho nele e porque o equipamento eram os minishorts que salientavam em muito o seu traseiro adolescente (pormenor que também não passou despercebido ao Carlão, claro está).
A Lúcia e o Carlão continuam a morar no mesmo bairro e a ter os mesmos hábitos de há vinte anos atrás: ir tomar a bica depois do jantar ao pub "Muita Louco" com o China e o Cenoura, compram dois maços de Marlboro (light para ela, normal para ele) e fazem compras ao domingo no hipermercado/shopping mais próximo. Fazem isto porque se sentem confortáveis nesta eterna juventude. E que mal há nisso? Nenhum! Apenas as banhinhas da Lúcia a saírem de lado nas suas leggings roxas.

Moral da estória:
Vá lá Lucy, compra o tamanho L.

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O Lentinho da Esquerda ® Teresa Serrano

Se há coisa que me põe os nervos em franja são os lentinhos da esquerda.
Isto porque adormeceste os 15 minutos que te permitem fazer tudo no tempo certo e antes de saíres de casa já pisaste o gato três vezes, deixaste cair o telemóvel duas não encontras o par da meia e não há café. Sais de casa esbaforida(o) com sandes na boca semi comida enquanto procuras a chave do carro no malão sem fundo e finalmente consegues sair da tua rua - qual Fittipaldi qual quê! Ele é fintas pela direita, passar amarelos tintos até que na reta onde realmente podes finalmente ganhar alguns minutos do teu atraso matinal está... o lentinho da esquerda.
Ora o lentinho da esquerda não tem pressa. O lentinho da esquerda levanta-se cedo para ir pescar. Tudo isto não me importava nada se não fosse o lentinho da ESQUERDA. O que não entendo é a fixação por ir na faixa das ultrapassagens quando na realidade ele não vai ultrapassar ninguém! Só vai ali porque mais facilmente vê o mar na marginal! E ai de alguém que lhe apite ou faça um sinalzinho que seja de luzes!! Que aí é vê-lo a gesticular a onda do "passa por cima!" e quando o apressadinho da direita o está a ultrapassar em contra-ordenação lá vem a lista de insultos do raio-que-ta-parta para cima.
Com muita muuuuita sorte, para além do lentinho da esquerda ainda podes apanhar na direita dois ciclistas lado a lado em amena cavaqueira e aí bem podes contar com meia hora de atraso para picares o ponto.

Moral da estória:
Levantasses-te mais cedo.

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Pseudo-decoradoras ® Teresa Serrano


Quem trabalha em áreas criativas já se cruzou com muitos destes pseudo-decoradores.

Intitulam-se pessoas de "bom gosto", com um "ótimo sentido estético"  - até já houve uma vez que remodelaram a sala de jantar da avó e correu muita bem."Ficou cheio de pinta!".
Eu até não me importo de ouvir estas conversas se estiver na pausa do café, o problema é quando estou a ouvi-las ao meu lado enquanto olham para o ecrã do meu computador onde está o logótipo em que ando a trabalhar há dois dias e se lembram que não gostam de cor de laranja "experimenta lá com azul" quando na realidade a empresa para a qual estou a fazer o trabalho se chama "Laranja Mecânica"...
Meus/minhas senhores(ras), também eu tenho sentido estético mas mais do que isso, tenho uma graduação superior em comunicação visual. O sentido de Belo aprendi-o com Platão e não na última cor tendência da Risqué, portanto, não me lixem!
Vão lá decorar o quarto das crianças com o verde maçã e o azul himalaias, despender a vossa hora de almoço na Zara Home a ver atoalhados, mas deixem-me a mim entregue à bonecada.
É claro que um(a) pseudo-decorador(a) também tem um sobrinho com jeito para o desenho e até lhe fez o logótipo para as jóias de pechisbeque que faz nos tempos livres que está "Fan-tás-ti-co!" - palavras do(a) próprio(a) pseudo-decorador(a).
A casa de um(a) pseudo-decorador(a) tem as divisões decoradas por temas: a sala de estar tem o tema náutico, com os sofás às riscas azul marino e branco (tintim por tintim como aprendeu no Querido Mudei a Casa), no quarto o tema é Penthouse Ritz Four Seasons (o único problema é a vista da varanda dar para a praceta de betão e não para o central park) e a casa de banho é...Gato Preto, porque é pequena e não dá para ter tema no WC. Acabamos a visita à casa do(a) pseudo-decorador(a) no hall de entrada onde há de um cartaz/quadro emoldurado em talha dourada de um "Keep Calm & Carry On".

Moral da estória:
Dediquem-se antes à culinária e inscrevam-se no Masterchef para ver o que realmente valem.

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Snob Decadente ® Teresa Serrano


Os snobs decadentes são personagens bastante interessantes e cada vez mais presentes no nosso dia a dia porque o passe social passou a ser um must-have.

Têm o ilustre peso ancestral da riqueza falida da família mas as regalias...na pas de vê-las. 
O nome próprio de um snob decadente nunca tem menos de seis apelidos e pelo menos quatro deles com consoantes repetidas -  Vasconcellos, Mello - sempre separados com preposições tais como de, da ou e. Um ou dois nomes estrangeiros lá pelo meio também ajudam, dá pátina à coisa. A descendência aristocrata é sempre uma mais-valia.
Habitam sobretudo a linha de cascais, mas cada vez menos perto da vila (que isto não está para brincadeiras e São Domingos de Rana também é linha e o T3 é menos inflacionado).
O Golf deixou de ser o desporto para passar a ser o carro utilitário da família.
As Sô Donas Dondocas também já não usufruem do cartão visa dourado para as compritas no Cascaishopping porque a empresa de imóveis de luxo do marido faliu e passaram a ter o cartão de refeição da maçãzinha que usam agora no Mcdonald's de Oeiras para comprar happy meals para as quatro crianças loiras lindas, fruto deste segundo casamento tão desejado pela Sô Dona Dondoca (ex-secretária do Sô Doutor, mas estes pormenores ninguém precisa de saber).
As salvas de prata são ainda o que lhes vão valendo para os jantares dados em casa, porque sempre embelezam o prato principal - salsichas Nobre com raclete de queijo Querú.

Moral da estória:
Já nem os canapés dos cocktails perfazem uma refeição completa como antigamente.

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®Teresa Serrano


Sou só eu a pensar que o histerismo dos americanos nos genéricos dos talk shows é um bocado exagerado?
Aqueles gritinhos estridentes mal a Ellen Degeneres entra em palco (qual Brad Pitt, qual quê!) e começa a fazer as suas danças "ellenianas" é ver o mulherio doido tal como se tivessem visto uma aparição do Elvis...
Já para não falar quando ouvem o seu nome e se levantam aos saltos e a gritar "OH MY GOD!!!" e correm até à apresentadora como se estivessem a chegar aos portões do céu e fossem falar com o São Pedro. Não é preciso ser um génio para perceber que se são chamadas ao palco é porque vão receber alguma coisa (Hellôô!). Vai haver de certeza uma "surpresa" e entra a família inteira palco adentro e vão receber um carro ou coisa que o valha. Não precisam chorar e fazer ar de espanto!
Outra versão de americanas são as "too cool for school" que falam como se estivessem com falta de ar. Um bom exempo disso são as famosas Kardashian que podem estar a contar a história mais emocionante da vida delas mas sempre num tom monocórdico e sem qualquer expressão facial. Dá vontade de lhes pôr uma máscara de oxigénio para ver se ganham algum fôlego. Falam com o mesmo entusiasmo da mudança se sexo do padrasto como da cor de unhas que escolheram nessa semana... Ó gente estranha.

Moral da estória:
Não comam tanta comida processada, pelo sim pelo não.

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®Teresa Serrano

O que eu gosto de estar numa fila única à espera de ser atendida num daqueles quiosques de café que existem nas estações de metro, onde passam 5000 pessoas por minuto e as empregadas parecem ter dez braços para conseguir atender toda gente e, eis senão quando, lá está a chatinha da fila...
A chatinha da fila está-se completamente a lixar para o número de pessoas que tem atrás dela. Está-se nas tintas que aquele seja um quiosque onde se apanha qualquer coisa para comer e se segue caminho e que a maioria dos que ali estão, já estão atrasados para cumprir um horário laboral e daí não se sentarem para poder comer calmamente um belo pequeno almoço ou lanche ou lá o que for.
E adivinhem lá o que pede a chatinha para o seu pequeno almoço?
"_Quero um sumo de laranja natural e uma torrada de pão saloio" - diz a chatinha.
Mas é óbvio que não ficamos só por aqui. Logo a seguir a chatinha pergunta:
"_Quantas laranjas leva um copo de sumo?"
"_Duas" - diz a empregada de raspão numa das suas centenas de idas à pequena copa.
"_E quanto custa o copo de sumo?" - chatinha.
"_2,10€" - empregada com 20 chávenas de café na mão.
A chatinha começa então o discurso do como é que é possível pagar um euro por cada laranja, está tudo pela hora da morte e concluí com um "Não meta água no meu sumo!"
Com isto já passaram uns largos minutos, a empregada já está na copa a espremer as laranjas e passa-se então à problemática da torrada em pão saloio.
"_O pão é de hoje?" - chatinha - "_É pão de Mafra?"
"_É" - empregada já sem grande paciência tal como todos os restantes na fila.
"_É barrada com manteiga ou margarina?" - chatinha.
"_Manteiga..."
E claro que a saga vai continuar porque depois disto ela ainda vai pedir o café sem princípio em chávena fria.

Moral da estória:
Já tive quebras de tensão por menos.

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®Teresa Serrano

 

A meia idade nos homens é uma coisa complicada. Não só é complicada como também é notória. E por muito que pensem que estou a falar de aparência física, a falta de cabelo ou a barriguinha saliente, enganam-se. Falo antes de três opções de "presentes" que quase todos querem/têm por volta dos 45 anos. E passo a enumerar:
1) Trocar a esposa por uma namorada com metade da sua idade;
2) Comprar o carro desportivo/descapotável;
3) A mota.
O mais engraçado é que em qualquer uma das opções encontro sempre o mesmo denominador comum: a potência (e vamos lá tentar deixar a ironia de parte, se possível!).
Ora, como mulher casada que sou - e espero ser ainda por volta da meia-idade - vou torcer para que a escolha do meu maridão seja a bela da mota.
(Parece que já me estou a ver de look cabedal total à pendura numa Harley a caminho da concentração de Faro). E aqui é deixá-lo conviver com os outros espécimes de casaco de cabedal e da promoção das ampolas capilares. Cerveja numa mão, fazer rateres com a outra e uivar à stripper. Mas no final de tudo, voltar ao seu confortável lar e calçar a bela da pantufa da serra da estrela.


Moral da estória:
Toda esta estória só pode ter como banda sonora Dire Straits, preferencialmente a música Sultans of Swing.

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Um blog de experiências do dia-a-dia com um toque de sarcasmo e ilustrado por uma designer que " Quando-for-grande-quer-ser-ilustradora".


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I Saw Jesus in a Toast

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